
Antes da fotografia, o olhar
Marilia Cardozo.
Fotógrafa documental de família, uma eterna encantada com o simples.
Nunca foi sobre parar o tempo. Acho que, no fundo, foi justamente o contrário. Foi perceber que ele passa.
A vida tem um jeito curioso de esconder o que realmente importa. Ela disfarça o extraordinário de rotina, e talvez por isso a gente só perceba o valor de alguns momentos quando eles já passaram.
Foi convivendo com famílias que comecei a entender que o meu trabalho nunca foi apenas fotografar.
É ajudar as pessoas a reconhecerem a beleza da vida que construíram.
Cada família que encontro me lembra que as coisas mais importantes quase sempre estão escondidas no comum. Em um café da manhã de domingo, em uma criança dormindo no colo, em um abraço demorado sem motivo aparente.
Comecei a fotografar porque não conseguia parar de olhar. Olhar para o modo como as pessoas se tocam sem perceber, para o segundo em que uma criança esquece que a câmera está ali, para a luz que entra pela janela num domingo qualquer.
Percebi que aqueles momentos precisavam de alguém para guardá-los. Não com poses, não com fórmulas, apenas com presença. Foi assim que a fotografia deixou de ser hobby e virou o meu jeito de cuidar das histórias das pessoas.
Hoje, meu trabalho é criar um espaço onde a sua família pode simplesmente ser. Onde a criança pode chorar, o adolescente pode revirar os olhos, o casal pode rir da própria bagunça. Porque é exatamente isso que vocês vão querer lembrar daqui a dez, vinte, cinquenta anos.
Se você chegou até aqui, tenho certeza de que a gente vai se dar bem.